quinta-feira, 19 de abril de 2012

Relembrando minha visita à aldeia dos ìndios Potiguaras na Paraíba

Hoje em comemoração ao dia do índio, desta vez resolvi preparar para vocês esta postagem compartilhando momentos da viagem que fiz com a minha turma de faculdade à Paraíba no ano passado. Na oportunidade visitamos a Aldeia São Francisco na Baía da Traição – PB, onde vivem índios remanescentes dos antigos Potiguaras (um grupo indígena que habitava o litoral dos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Esta aldeia dentre varias outras se localiza no litoral da Paraíba, mais precisamente nos municípios de Baía da Traição, Rio Tinto e Marcação



Foi uma aula de campo da disciplina de Educação Indígena do curso de Pedagogia, realizada no dia 19 de março de 2011 e o objetivo desta foi conhecer uma aldeia indígena, e ver como vivem os seus habitantes, conhecer seus costumes e tradições, e perceber a cultura indígena num mundo globalizado.

Saímos de Riachuelo às 06h20min da manhã após a turma se encontrar em frente a E.M.M.G.A.V. (Pólo da UVA - Riachuelo). A turma estava toda empolgada, todo mundo preparado, com lanches para o consumo durante a viagem e também levando donativos para os índios.  Fizemos uma parada em Parnamirim, onde apanhamos a professora e encontramos com a turma do pólo de Ceará - Mirim, em seguida dando prosseguimento a viagem. Apesar de a viagem ser cansativa e demorada, foi compensador apreciar a bela paisagem,  diversificada, como os canaviais que davam um contraste todo especial.

Logo ao entrar na Paraíba houve uma parada em um posto de gasolina, onde alguns alunos tomaram café, e compraram lanches. Tiramos fotos com esculturas dos personagens do Smilingüido.  


Seguimos viagem, e num determinado momento o motorista sentiu dificuldades em localizar o caminho do nosso destino e foi preciso parar várias vezes para pedir informações. 
Logo estávamos passando pela praia da Baía da Traição. A turma ficou encantada com o belíssimo visual, com o mar cheio de pequenas embarcações, e casas bem próximas ao mar.



Chegamos à aldeia por volta das 10h15min da manhã, e a outra turma de Ceará - Mirim já se encontrava no local a nossa espera, só que um pouco antes da aldeia para que pudéssemos chegar todos juntos. Ao chegarmos à aldeia entregamos os donativos que levamos; alimentos não-perecíveis e também roupas, uma forma de agradecimento a eles pela nossa acolhida, pois são muito humildes e necessitam de assistência.



Fomos muito bem recebidos por todos, principalmente pela Pajé chamada de Fátima, mas que também na tradição indígena é chamada de Cunhã, a qual nos passou informações sobre como é a vida na aldeia, seus costumes, enfim a cultura do seu povo.  Estes índios vivem da pesca e da agricultura, plantação de milho, feijão, batata, macaxeira, e também fabricam a farinha de mandioca na casa de farinha que existe na própria aldeia. 

Fátima (Pajé) também chamada Cunhã

As meninas do meu grupo e a pajé.



O artesanato também é uma importante fonte de renda para eles, o que garante um dinheirinho para comprar o necessário para sustento de todos, bem como também a safra das frutas dá um bom lucro.


Fabricação e venda de Artesanato


Citaremos agora alguns pontos importantes que colhemos através de entrevista com algumas índias da aldeia:




·       EDUCAÇÃO: As crianças se deslocam para a escola no município mais próximo para estudarem, sendo importante destacar que elas têm dois dias da semana (quinta e sexta) destinados ao estudo da língua Tupi. Existe esta preocupação com relação ao estudo das crianças no sentido de garantir um futuro para as mesmas.


Curumins da aldeia São Francisco



Eu e os curumins da aldeia


Edna e Karina (Colegas de grupo)




·       MORADIA: Na aldeia não existem ocas, exceto algumas pequenas que servem de abrigo para a criação de alguns animais. No mais, são casas de taipa e casas de alvenaria que o governo implantou. Com relação às ocas, segundo o depoimento de uma das índias, foram se desfazendo das mesmas pelo fato de que era costume na aldeia os adultos saírem para o campo e deixar as crianças maiores cuidando das menores. Por conta disso houveram casos em que crianças atearam fogo nas ocas causando tragédias e até mortes, por isso deu-se preferência pelas casas de taipa. No entanto ainda utilizam cabanas de madeira e palha para reuniões. 

Pequena cabana destinado à criação de alguns animais 

Oca destinada à reuniões

Eu no interior da oca



·       SAÚDE: Uma vez por mês a aldeia recebe uma equipe médica para uma análise geral. Segundo a pajé, procura-se tratar os problemas de saúde em casa mesmo utilizando-se ervas medicinais e só vão à “oficina grande” (hospital), em último caso, quando o problema ou enfermidade não pode ser resolvido na própria aldeia.



Bebê índio 




·       ALIMENTAÇÃO: A comida é adquirida por seus próprios recursos, através da plantação e da pesca. 

Durante nossa passagem por lá foi servido um banquete típicamente indígena, ao ar livre, no qual a mesa era feita de varas e coberta com folhas de bananeira. A comida foi servida em panelas e tigelas de barro. O prato principal e que chamou a atenção de todos foi um peixe preparado de uma forma bastante curiosa, (o peixe é enrolado em folhas de bananeira e enterrado na terra com o fogo acesso sobre ele, e após uma noite é retirado e está pronto para servir.)  

Prato principal


Foi servido feijão verde, Peixe, Sururu com camarão, pirão, arroz branco, macaxeira, bolo preto e tapioca. Um banquete maravilhoso de encher os olhos e de dar água na boca, que por sinal estava uma delícia!

Preparação para o almoço.

Estava uma delícia!

Todo mundo se servindo.


Após o almoço a pajé junto aos demais apresentou o Toré, uma dança indígena onde crianças e adultos vestidos com trajes e instrumentos típicos, cantam e dançam em volta de um dos índios o qual toca um instrumento como uma espécie de tambor. As letras das músicas entoadas falam sobre personagens da cultura indígena e que também são lembrados na cultura e nas religiões afro.


Dança Toré






Por volta das 14:00 horas chegou a hora da despedida, e o professor da turma de Ceará - mirim fez o encerramento e em nome de todos agradeceu a hospitalidade dos índios e falou que foi com muito orgulho que mais uma vez ele trouxe mais uma turma para conhecer a aldeia, pois não era a primeira vez que ele os visitava. 


Professor da turma de Ceará-Mirim fazendo as considerações finais.

Os nativos ouvem com atenção as palavras do professor.

Por último, a Pajé Fátima também agradeceu nossa visita que pediu 
que voltássemos outras vezes.

Eu e as meninas do meu grupo 
com a nossa professora de Educação Indígena Aracely Xavier.


Eu com a professora Aracely Xavier. (Pessoa maravilhosa!)



Encerramos então a nossa visita à aldeia e partimos de volta a nossa terra, mas antes fazendo uma parada no município de Rio tinto, onde tiramos fotos com a turma em frente a belos monumentos, e voltamos saboreando o delicioso sorvete da região. 


Eu e minha colega Raquel 
em um dos monumentos da cidade de Rio Tinto - PB.

Rio Tinto - Paraíba

Parte da Turma "A" 2009.1 de Pedagogia
Universidade Estadual Vale do Acaraú - Ibrapes - UVA 
(Pólo Riachuelo)


Chegamos de volta à Riachuelo por volta das 18:00 horas. Enfim foi uma viagem inesquecível!



Através desta aula de campo foi possível perceber que apesar de todo o processo de civilização pelo qual os índios da Aldeia São Francisco passaram, ainda assim é bastante forte a presença das características típicamente indígenas e da preservação de suas culturas. A região na qual visitamos possui 20 aldeias que ficam situadas em municípios vizinhos.  Junto a pajé, os demais nativos procuram resgatar as tradições do seu povo, repassando de geração a geração, como por exemplo, a língua Tupi-Guarani, onde podemos perceber na fala da pajé e principalmente das crianças, algumas palavras pronunciadas nesta língua, bem como os traços indígenas marcantes e gestos que retratam os antigos costumes preservados em meio a uma civilização num mundo hoje globalizado.



Como hoje é dia do índio, a Aldeia São Francisco certamente deve ter feito uma grande festa reunindo as demais aldeias do litoral da Paraíba bem como haviam nos dito. Pois esta data para eles é sempre comemorada com muita alegria e realização de festejos indígenas tradicionais.  

Quem tiver oportunidade, não deixe de conhecer esta nossa cultura e as nossas raízes!
E viva o índio brasileiro!

Um feliz dia do índio para todos os povos indígenas do Brasil!


VEJA NO VÍDEO O INÍCIO DA DANÇA TORÉ


INÍCIO DA DANÇA TORÉ


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